Leitoras com Swag

Hey garotas, beliebers ou não beliebers. Só estava faltando você aqui! Nesse blog, eu, Isabelle, faço IMAGINE BELIEBERS/ FANFICS. Desde o começo venho avisar que não terá partes hots nas Fics, em nenhuma. Repito, eu faço 'Imagine Belieber' não Imagine belieber Hot. A opinião da autora - Eu, Isabelle - não será mudada. Ficarei grata se vocês conversarem comigo e todas são bem vindas aqui no blog. Deixem o twitter pra eu poder seguir vocês e mais. Aqui a retardatice e a loucura é comum, então não liguem. Entrem e façam a festa.
" O amor não vem de beijos quentes. Nem de amassos apertados. Ele vem das pequenas e carinhosas atitudes."- Deixa Acontecer Naturalmente Facebook.
Lembrem-se disso. Boa leitura :)

Com amor, Isabelle.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

One Life 42

— Se eu te soltar você vai gritar? — indaguei inutilmente. Faith não me contaria a verdade, não devia mais nada a mim.   
Ela apertou os olhos e fez sinal negativo com a cabeça.  
Não me deixei enganar.  
— Ouça, se você chamar Willian por socorro serei obrigado a imobilizá-lo como legítima defesa, e não querermos que alguém se machuque, certo?  
Aquilo foi como encharcar de álcool suas labaredas de raiva.  
— Eu não vou te machucar, Faith — afirmei com seriedade, olhando no fundo de seus olhos a fim de transmitir-lhe segurança.  
Passaram-se alguns instantes enquanto ela me sondava, a respiração desacelerando. Aparentemente mais calma, tentou libertar a boca outra vez, e assim permiti, vigiando cada movimento seu com cautela.  
— O que você quer? — cuspiu as palavras, cruzando os braços.  
Eu podia notar que ainda decidia se deveria gritar. Com toda aquela hostilidade, me surpreendia não ter o feito no segundo em que a libertei.  
— Conversar — respondi desarmado.  
Seu rosto formou um sorriso cínico.  
— E o que teríamos para conversar dentro de um banheiro público?  
Ela assoprou a franja para o lado quando seus olhos ficaram cobertos, preferindo preservar as mãos preparadas para reagir a qualquer investida minha. O restante do cabelo estava preso em um rabo de cavalo, deixando a mostra boa parte de sua pele coberta no tronco apenas por uma camiseta fina de alça branca. Faith também parecia ter se vestido para me atrair, ela me teria de joelhos somente com aquela calça skinny jeans.  
Estávamos demasiadamente próximos, eu podia sentir o calor de sua pele emanar para mim, me convidando a tocá-la e transformar nossa respiração em uma só. Sua presença finalmente me afetava.  
— Tenho em mente outras coisas que podemos fazer dentro de um banheiro — meus olhos automaticamente caíram em sua boca entreaberta de indignação.  
— Desaparece — resmungou, empurrando meu peito.  
Recuei alguns passos, lhe dando liberdade para ir até a pia. Seu jeito de caminhar era confiante, fazia questão de transparecer na postura que não dava a mínima para mim.  
Me encostei no mármore, recuperando o foco que me trouxera até ali.  
— Tenho apenas algumas horas para cumprir o prazo, Faith — contei com lamúria.  
Sua atenção estrategicamente não saiu das mãos que lavava, e eu até poderia pensar que não havia me ouvido se não fosse pela ruguinha de estresse no meio de sua testa.  
— Então o que, está pedindo permissão para me matar?  
O deboche explícito não era completo, resquícios de mágoa circundavam sua voz.  
— Não. Você não entendeu. Se até amanhã eu não resolver isso, eles mesmos vão se certificar de que o trabalho seja feito — a ansiedade em minhas palavras fez com que me olhasse, mas ainda inalcançável, secando as mãos na própria calça, seu costume ecológico.  
— Isso deveria me assustar?  
— Sua denúncia à polícia foi inútil e desnecessária, se está contando que possam te ajudar.  
Era fácil ver que estava decepcionada, frustrada, queria gritar, espernear, provavelmente me matar. Uma agitação que ela conteve na profundida de seus olhos, engolindo o sentimento como faria com um vegetal do qual não gostava. Agrião, para ser mais específico.  
— Desnecessária? Este foi o passo mais lógico que dei depois que te conheci — ela se auto ridicularizava — E se diz que não está aqui para me machucar, o que quer? Consideração em contar que o trabalho de me perseguir será de outra pessoa?  
Resisti ao impulso de mandar que se calasse e poupasse suas péssimas suposições. Esta com certeza não era uma de suas especialidades.  
Sua mão direita estava na cintura, contudo a esquerda se apoiava na pia. Dei um passo minucioso para mais perto, não querendo assustá-la, e toquei a ponta de seus dedos, conseguindo me fascinar outra vez pela textura de sua pele. Firmei meu olhar no seu para que enxergasse a veracidade de minhas palavras.  
— Quero que fuja comigo — informei baixo, atestando de que aquele seria nosso segredo.  
A novidade lhe pegou desprevenida e ela permaneceu perplexa por quatro ciclos respiratórios, passando os olhos por nosso pequeno contato físico. Naquele instante, eu havia a alcançado, o modo como encolhera os ombros confirmava que a ideia fora absorvida por sua psique, congênere ao mundo paralelo que gostávamos de criar para nós dois. Segundos, minutos, talvez horas onde nos envolvíamos em uma bolha alheia ao restante do mundo. Nada do que eu fizera em minha existência insignificante me faria sentir mais vivo do que aqueles espaços de tempo. Faith Evans era indescritível, e embora pensasse que eu fosse misterioso, ignorava o fato de ser formada por pequenos segredos. Cada partícula de sua natureza tinha a medida certa para transformá-la numa criatura sobrenaturalmente encantadora. A constelação em seus olhos contava histórias que a boca nunca seria capaz pronunciar, a melodia de sua risada nunca poderia ser apreendida por algum instrumento, e a fórmula do seu sorriso era irreproduzível. Não me impressionava que faltasse forças para me manter distante dela. O caos que causava era mais coerente do que qualquer outra coisa em minha vida.  
O arfar grave rompeu nossa conexão silenciosa. Olhei para trás do corpo miúdo de Faith a tempo de ver a expressão pasma tomar o rosto da ruiva.  
Minha maré de sorte não estava muito boa.  
— Alice — cumprimentei com o mais disfarçado movimento de cabeça para ser cortês, especificando minha indiferença a sua presença.  
Antes que Faith pudesse olhar com quem eu falava, as bochechas de sardas se avermelharam, se esticando para um sorriso sem graça e decepcionado por não ter minha atenção exclusiva. O mesmo se podia dizer dos olhos castanhos que recaíam avaliadores sobre meu rosto. Mas Faith não estava sem graça, e também não estava achando engraçado.  
Alice baixou os olhos levantando uma mão de desculpas, saindo ligeiramente e desengonçada do banheiro.  
Faith deu dois passos para trás, se livrando da minha mão e erguendo seus muros.  
— Não tenho mais nada pra falar com você.  
Seu ombro se chocou contra o meu quando ela passou ao meu lado, se direcionando à saída. Segurei seu pulso.  
— Espera.  
Seu braço foi puxado de volta com um movimento brusco ao mesmo tempo que me fitava com desprezo.  
— Não sei quantas você engana com sua lábia, mas tudo isso é culpa sua. Deve compreender porque não acredito que queira me ajudar, muito menos quero sua ajuda.  
Surpresa ou não, eu tinha honra, e não aceitaria levar créditos por uma coisa que não fizera.  
— Não pode me culpar por ser filha de Bryan — retruquei.  
Ela balançou a cabeça, teimosa.  
— Você tentou me matar — acusou, ultrajada pela minha tentativa de inocência.   
Lembrar do fato revirava a boca do meu estômago. Eu nunca poderia apagar aquilo. Me corroeria pelo restante da minha vida. A memória vívida de seus gritos preencheu a névoa em meu cérebro, arrepiando meus braços, trazendo a tona a angústia que experimentara em minha pele, como se fosse eu mesmo que estivesse queimando.  
Dei um passo ao lado para ficar na sua frente assim que virou o rosto para frente, me livrando da sensação.  
— Mas você está aqui, viva, e apenas por uma razão, porque eu não te quero morta.  
Fui mal interpretado, seu orgulho foi ferido. Acrescentei rápido antes que me jogasse outra ofensa:  
— Você me disse uma vez que o passado não te interessa. Eu tenho o passado mais sujo que você pode encontrar e nunca poderei te compensar por isso, mas por que não pode se focar no presente e futuro agora? Meu presente não aceita a opção de você não existir.   
Ela riu, histérica, batendo no peito. 
— Porque eu descobri sozinha sobre essas coisas fundamentais! Não posso confiar em você, porque se se importasse de verdade sentiria necessidade de me contar tudo para que eu pudesse fazer alguma coisa!  
Eu entendia seu ponto, mas não era completamente verdade. Não para mim.  
— E você ao menos pensou o motivo de eu não ter feito isso? Acha que não passei cada segundo estudando a melhor forma de te contar? Eu estava com medo de te perder!  
Quis recolher as palavras impensadas, sentindo como se entrasse em uma guerra sem portar armas, exposto. Esse era um dos efeitos colaterais de estar na presença daquela garota aparentemente inofensiva. Eu não conseguia pensar direito.  
Por outro lado, percebi suas barreiras tremerem.  
— E olha onde isso te levou — rebateu, tentando se apresentar inabalável — Eu tinha o direito de saber e decidir por mim mesma! E para deixar claro, eu não quero nenhum futuro que tenha a ver com você.  
E lá estava ela outra vez com a habilidade de esmagar o hemisfério direito* do meu cérebro com suas mãos pequenas. Eu não revidaria, era justo que quisesse me ferir.  
— Me desculpa — foi a única coisa que pensei em dizer, surrado em meu interior.  
Faith notou minha vulnerabilidade e isso fez com que hesitasse, altruísta o suficiente para se permitir martirizar por minha causa, e em seguida se enfurecer consigo mesma devido à essa compaixão.  
Foi quando ouvimos o ruído. Um gemido masculino de dor combinado com um baque oco seguido de um aparente saco de batatas desmoronando no chão. Um presságio péssimo e costumeiro para mim.  
Imediatamente tomei o braço de Faith e a arrastei para trás do meu corpo antes que pudesse entender o que acontecia.  
— Tudo bem senhorita Evans, precisamos conversar.  
A voz bizarra chegou primeiro que o homem alto de cabelo crespo escuro. Pelo seu porte físico eu diria que dedicava sua vida à academias, e os olhos empolgados denunciavam sua falta de experiência no ramo, um mero acréscimo para sua renda. Normalmente era divertido lidar com aqueles aspirantes, mas o momento era inoportuno, sem contar o fato de estar atrás da pessoa errada.  
Dei um sorriso confiante quando enxerguei sua bota.  
— A não ser que tenha dúvidas quanto ao seu órgão genital, este não é o banheiro certo pra você, amigo.  
Percebi a respiração de Faith descompassar, denunciando sua tensão. Apenas por sua perturbação, minha paciência se esvaziava com o inconveniente a frente.  
O grandalhão se surpreendeu ao me ver, mas depois de me avaliar de cima a baixo, pareceu gostar do aparente desafio que eu estava disposto a entrar, como se não fosse páreo para seus músculos artificiais. Esse negócio não se tratava exatamente de força, mas de habilidade e destreza. Sua ignorância comprovava minha teoria da despreparação para o trabalho. O que me fazia indagar, por que a creche estava se metendo nos assuntos dos adultos?  
— Claro. Posso dizer o mesmo de você. Se puder me dar uma licença, posso preservar seu rostinho de garotinho da mamãe e resolver meus assuntos com Faith Evans — ele estudou um movimento, se aproximando, querendo me amedrontar.  
Dei risada do seu movimento tosco, maneando a cabeça.  
— Cara, eu vou te dar uma oferta melhor. Você me diz porque se atreveu a vir atrás dela e pode ir embora vivo. Se vai sair andando não posso garantir.  
Minha arrogância provocou-lhe um sorriso falso, seguido de sua investida para cima de mim com um ataque mais previsível que seu aniquilamento. Seu punho enorme mirou meu nariz, me desviei a tempo, acertando meu calcanhar na boca do seu estômago para que levássemos o confronto para longe de Faith. Ele não foi inteligente para esperar recuperar equilíbrio e ar, cambaleante tentou golpear meu tronco com a perna esquerda sem firmeza, me dando oportunidade de imobilizá-lo com um aperto firme do meu braço correspondente. Num movimento só, fustiguei sua coxa com o cotovelo contrário e acertei sua narina de baixo para cima com meu punho. A cabeça redonda reagiu como um chicote para trás e soltei sua perna para espalmar o rosto em direção ao espelho, que estilhaçou com o impacto.  
— Quem te mandou? — questionei com impaciência.  
Sua resposta foi um grunhido de resistência, acrescido de um murro na minha orelha. O zumbido irritante não sairia barato.  
Com agilidade passei por baixo de seu braço e prensei os dois contra suas costas, segurando seus pulsos cruzados com uma mão e usando a outra para jogar sua testa violentamente no mármore. Foi revigorante vê-lo apagar de uma vez, caindo como um elefante aos meus pés.  
Parabéns Justin, não vai conseguir informações agora.  
Não me interessava se estava vivo, então me voltei para trás a procura de uma Faith provavelmente apavorada. Eu não gostaria que me visse assim. Sua empatia a sensibilizava com pessoas que nem mesmo mereciam — como eu.   
Talvez essa fosse a explicação para não estar no lugar que eu deixara. Avancei para a porta atrás de mim a tempo de ver suas costas se distanciando para a saída do cinema, sendo abraçada com ferocidade por um careca gêmeo do Vin Diesel.  
Os tecidos homicidas se agitaram dentro de mim, me impulsionando para frente. Não era um bom dia para escolher brincar comigo.  
Quando consegui me aproximar, ambos adentravam um aglomerado de capitalistas, manobrando entre os corpos como se fossem participantes da Fórmula 1. Inspirei e expirei controladamente, sabendo não poder perder a cabeça com Faith em risco. Se eu agisse em meio a tantas pessoas arrumaria um pânico em massa inconveniente. Nem ao menos sabia em quantos eram os amadores. Meu palpite era haver apenas mais um esperando no carro, mas eu não arriscaria.  
Em um instante Faith virou a cabeça para trás, captando meus olhos, transmitindo seu pânico pelas pupilas castanhas dilatadas, voltando sua atenção para frente. Ao menos o vislumbre serviria para acalmá-la por saber que eu estava a caminho, o oposto ao que ocorrera comigo. Apertei o passo, não me importando mais se tivesse alguém na frente quando eu estourasse os miolos do ser energúmeno. No exato segundo, eles viraram o corredor que indicava as escadas para o estacionamento.  
Eu podia sentir o gosto do prazer de trucidar a esperança daquele bode ilegal quando estivesse na porta do sucesso.  
Abandonei meu caminhar meticuloso e corri para que não os perdesse de vista, alcançando-os no segundo lance de escadas, completamente deserto. O patife percebeu a anormalidade na velocidade dos meus passos apenas quando eu já estava perto o suficiente para puxar o Colt* de dentro da jaqueta e empunhá-lo em sua nuca, provocando sua perda de sentidos imediata, deixando cair a arma branca pontuda e enferrujada que antes segurava na barriga de Faith como coação. Com raiva o suficiente para esmagar seu cérebro com meu pé, chutei sua cabeça por puro regozijo.  
— Justin! — Faith clamou em tom fraco, as mãos gélidas agarrando meu braço como inibição.  
Feito um sino estridente em minha cabeça, relutei para sobrepor minha prioridade ao ódio que cegava meus olhos, me voltando com um olhar intenso de inspeção para seu corpo.  
— Ele te machucou? — perguntei entredentes, capaz de estripá-lo caso a resposta fosse positiva.  
Ela negou com a cabeça, respirando fundo pela boca para controlar os nervos, dando uma piscada longa para se certificar de que quando abrisse os olhos ainda estivesse bem e pudesse retomar a sua cor normal.   
— Tudo bem, espere um segundo.  
Me abaixei sobre o corpo estendido no meio da escada, apalpando os bolsos para encontrar seu aparelho celular. Após tomar a posse, pude sentir minhas mãos trêmulas de anseio para cortar cada pedaço de seus membros devagar. De qualquer forma, não seria satisfatório torturar uma carne de pulso fraco.  
— Precisamos correr — avisei, me levantando.  
Não olhei para o rosto de Faith, certo de que sua fisionomia pesaria em meu desiquilíbrio. Segurei sua mão, prevendo que não teria raciocínio rápido suficiente para atingir a velocidade necessária, apressando-nos pelo restante de escada e voando pelo estacionamento. Destravei o alarme ainda a alguns passos de distância do carro, ajudando-a a se sentar no banco do carona. Por não ouvir nenhum protesto seu, supus que ainda estivesse aérea, incapaz de compreender o que acabara de acontecer. 
Eu estava dando a ré com o pneu cantando quando ela se manifestou. 
— Espera... Hanna, Caleb... Willian — balbuciou com horror. Eu sabia que estava se maldizendo por deixá-los para trás, inclusive Willian que poderia estar desmaiado ou morto. 
Tirei meu celular do bolso da frente e o estendi para ela. 
— Consegue avisá-los? — perguntei, tomando coragem para olhar em seu rosto e avaliar seu estado, já estando fora dos limites do shopping. 
Suas bochechas ganhavam cor outra vez e ela me olhou com olhos menos loucos. Faith me surpreendia por conseguir encontrar o centro nos momentos necessários. Os ombros estavam rígidos naquela postura que assumia pra si mesma quando sabia não poder desabar ainda, guardando o desespero em sua caixa mágica que abria quando estivesse segura. Ela assentiu, pegando o aparelho, os dedos trêmulos dificultaram o trabalho. 
— Tem certeza de que vão atender? Eles estão dentro do cinema — falei, não querendo ser pessimista, mas obrigado a enxergar todos os pontos. 
— Hanna nunca desliga o celular —  redarguiu, parecia mais sua forma de ter esperança.  
Foi aliviante que estivesse certa. Faith tentou ser coerente, despejando palavras de aflição para que saíssem imediatamente do shopping, não sem antes ir até o banheiro das mulheres com um segurança do shopping para procurar Willian. Ela afirmara estar segura, o que já queria dizer alguma coisa para mim. Eu não representava uma ameaça em primeiro plano. Notei que se esquivou de responder com quem estava, mas que já estaria em casa. 
— Não posso te deixar lá — protestei quando desligou o telefone.  
Suas sobrancelhas se uniram. 
— E por que não? 
A questão era lógica. 
— Não vou te deixar desprotegida. Não sei quem está atrás de você agora, e não vou permitir que fique no primeiro lugar que procurariam. É o mesmo protocolo da semana passada, não há discussão. Se quiser, peça para que eles também fiquem em outro lugar. 
A expressão em seu rosto era mais decepcionada consigo mesma por achar cair na mesma armadilha de dias antes. Pensei que discutiria, fazendo um escândalo, talvez como vingança jogaria o meu celular pela janela, ou abriria a porta e se jogaria por ela, mais disposta a rolar no concreto do que estar em uma jornada incerta comigo. Para minha surpresa, ela emitiu um som grave pela garganta, se debruçando nas coxas e abraçando as pernas, uma expressa representação de desistência. Foi pior do que encarar sua fúria. 
— Quer saber? Não me importo para onde estamos indo ou o que quer fazer comigo. Eu cansei de toda essa porcaria — murmurou com a voz abafada. 
— Não vou te fazer mal, Faith. É uma promessa — afirmei com convicção. 
Ela não se moveu. 
Deixei minha concentração na estrada, contorcendo os dedos no volante. Eu deveria dizer mais alguma coisa? Podia fazer algum contato físico?
— Você está bem? — perguntei com receio, incapaz de ignorar meu instinto de parar o carro de tomá-la em meus braços. Uma forma corporal de dizer que ela ficaria segura.
Sua cabeça mal se moveu para afirmar, uma mentira para que eu não enchesse o saco, sinal de que não queria conversar, e meu abraço não seria bem recepcionado.
Não demoramos a chegar em Hyatt Regency Boston Harbor*, o hotel mais próximo do aeroporto caso necessitássemos deixar a cidade. Parei o carro na entrada, avistando o manobrista vestido num uniforme vermelho já a postos. 
Saí do carro e fechei a porta, pegando a caixa no banco traseiro e o papel pardo, vendo o uniformizado abrir a porta de Faith. 
— Senhorita — ele sorriu, estendendo a mão para que saísse. 
Ela assim o fez, forçando um sorriso de gratidão, sem conseguir disfarçar a perturbação em seus olhos. Quem visse, pensaria termos discutido segundos antes de parar ali. Não era uma interpretação errada, porém, muito superficial.  
Parei ao seu lado, entregando a chave para Elliot, como podia ver em seu identificador prata fino espetado contra o tecido vermelho.  
— Obrigado — fiz um aceno breve com a cabeça. 
Conduzi minha mão às costas de Faith que olhava com olhos semicerrados a entrada do Hyatt, identificando onde estava. Ela pareceu indiferente ao meu toque, andando conforme eu incentivava sem fazer ao menos uma pergunta ou queixa, o que era atípico. 
Nos direcionei imediatamente para a recepção que estava estranhamente vazia para a temporada através da porta de vidro. 
— Boa noite, os senhores já tem uma reserva? — a atendente de batom laranja fosco nos recebeu, os lábios esticados de forma frívola deixavam a mostra seus dentes brancos. 
— Boa noite. Bieber — me limitei a dizer, sentindo o desconforto de Faith ultrapassar sua camiseta e me atingir através da ponta dos meus dedos. 
Os olhos azuis desceram para a tela do computador enquanto ela buscava pelo nome no sistema. Não demorou a encontrar, se abaixando para pegar a chave atrás do balcão, onde eu não podia ver, estendendo em minha direção. 
— Espero que tenham uma boa estadia, senhor e senhorita Bieber. 
Ela conseguiu me arrancar um sorriso e deixar Faith mais carrancuda.  
À nossa esquerda o espaço se expandia para sofás confortáveis que prometiam compensar em caso de uma espera prolongada e revistas nas mesas redondas para expulsar o tédio. Mais adiante, três elevadores se distribuíam na parede oval da estrutura, envoltos por uma moldura amadeirada que parecia ser o tema do hotel enfeitado com vasos de árvores pequenas e flores por todo canto. Parei de reparar nos detalhes a nossa volta quando o mensageiro nos interceptou, suas roupas numa tonalidade de vinho o enquadravam ao ambiente. 
— Boa noite! Sem malas esta noite? — murmurou apressado, receoso de receber olhares feios por sua demora.  
— Só a senhorita — apontei com a cabeça para o lado, fazendo uma piada. Comedia deixava o humor de Faith mais maleável, e aquela distância imposta entre nós dois me deixava inquieto. 
O mensageiro demorou a entender, dando um sorrisinho para não se comprometer. Faith me jogou um olhar aborrecido, se distanciando da minha mão.  
— Posso apresentar-lhes os serviços do hotel quando desejarem. Já adianto que o restaurante está logo aqui no primeiro andar, juntamente com o bar. Precisam de ajuda para acomodação? 
Faith devolveu: 
— Se puder me ajudar a acomodar minha mão na cara dele, ficarei feliz. 
Dessa vez o mensageiro deu uma risadinha, embora baixa. Injusto sua lealdade estar com o sexo oposto. Franzi as sobrancelhas para ela, desfrutando secretamente que tivesse disposição para fazer uma brincadeira. Ou não era uma brincadeira?  
— Não precisamos, obrigado.  
O traidor assentiu, nos dando espaço com uma despedida polida depois de chamar o elevador para nós dois. 
Os braços de Faith estavam cruzados, a cabeça baixa enquanto encarava um ponto alheio no chão, retornando ao estado de autoflagelamento. Antes que eu pudesse pensar em dizer alguma coisa, o elevador chegou e ela entrou na caixa de vidro, ficando de costas para mim de modo que pudesse apreciar a vista. Nesta posição, podíamos ver o mar que corria bem no meio da cidade, negro no momento, refletindo a luz que emanava da lua.  
— O hotel não é tão luxuoso, mas gosto da ideia de ficar tão perto da costa — comentei, quebrando o silêncio tenso. 
Ela demorou para responder, e pensei que não o faria. 
— E do aeroporto — completou, deixando explícito que não ignorava esse detalhe. 
Assenti, mesmo que ela não pudesse ver. 
— Pensei que seria útil, em caso de emergência. 
 Paramos de subir e as portas se abriram numa forma solidária de não me deixar falando sozinho, exibindo um corredor imenso. As luzes se acenderam assim que adentramos o andar e segui até a segunda porta à esquerda, escutando os passos arrastados de má vontade atrás de mim. Abri a fechadura, acendendo a luz pelo interruptor logo ao lado e estendendo a mão para que entrasse. Ela o fez sem olhar em meu rosto. 
O quarto era um quadrado pequeno, tendo espaço apenas para duas camas de solteiro de colcha branca com três travesseiros cada, separadas por um criado mudo portando um abajur redondo, um telefone e um aparelho de wi fi. Uma mesa grande estava do lado oposto, com uma cadeira giratória marrom, uma televisão de mais ou menos 42 polegadas, um abajur em cada extremo, e um lixo redondo ao lado. Havia apenas um banheiro perto da porta de entrada e um guarda roupa bege em frente a ele. Distribuídos pelas paredes cor de gelo, alguns quadros enfeitavam o cômodo com pinturas sem qualquer sentido para mim. O pintor parecia estar em seu pior dia, então apenas jogara algumas tintas que combinavam com a cor do quarto, sem pensar em criar alguma forma  — que Jackson Pollock me perdoe. A janela em forma de retângulo estava direcionada a porta, mostrando mais um pouco da vista que apreciávamos do elevador. 
Faith andou direto até aquela, se apoiando no parapeito. Eu não sabia se era por realmente deleitar-se com a visão ou se para me fazer sentir mais inútil do que já fizera. Lentamente fui à sua direção, parando a uma distância segura para preservar sua privacidade. 
Ela suspirou, murmurando sem me olhar: 
— Você já tinha o quarto reservado — observou com a voz sem emoção — Pode me dizer qual seu plano agora? 
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Vivi!!! Você acabou de explodir meu coração!!! spoidokspokd Muito obrigada meeeeeeeeeeesmo! Eu amo o fato de conhecer pessoas que acompanharam esse meu "crescimento" na escrita, caraca, é tão importante, e sou muito grata que tenha se manifestado! Antes tarde que nunca, huh? spodks ce é maravilhosa, mal te conheço e já te considero pakas! Obrigada pelo incentivo, significa muuuito!!!! Continuado, por tu <3

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